segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tempos Estranhos

Agora sim os tempos estão estranhos. É hora de começar a dormir em pé, meu nobre amigo. Os desejos insalubres do apocalípse estão vagando pelas esquinas dessas grandes metrópoles inescrupulosas. Morrem crianças vitimas de uma gripe suína que não se contraria comendo carne. É a sua carne que eles querem, veja bem. Mosquitos horrendos correm pelos gotejos de chuva discrepantes que descem do céu como tormentas surreais. Todo mundo quer sugar o seu sangue viscoso e vil, é hora de sorver o vinho sacro da Bíblia cristã. Mantenha-se armado, noite e dia. Separe com cuidado as balas certas e coloque-as uma a uma na ponta da agulha, os grunhidos desesperados da Morte podem avançar pela porta do seu quarto assim que você cerrar seus olhos lacrimejados. É tempo de paranóia, filme de suspense e confusão entre pedestres. Estamos em guerra e não há Raul para lhe aconselhar tentar uma outra vez. A Paz e Amor foram enterrados esquartejados dos pés à cabeça. Sobrevive quem anda na linha, não pergunta demais e gargalha das piadas resenhadas no jornal popularesco. Esqueça de política, religião e qualquer outra brincadeira inverossímel que possa lhe valer a cabeça. A guilhotina do governo está estirada sobre a praça pública e ninguém viu. Sorria, meu caro. Mas sorria com a descerteza absoluta de que seus dentes logo serão arrancados a força por algum dentista megalomaníaco que lhe pegará de surpresa assim que você adormecer no banco de um transporte coletivo. Não ria. É hora de cravar sobre seu rosto uma expressão imutável de tranquilidade. Os desesperados serão os primeiros a serem eliminados da superfície terrestre inundada pela água que deságua das geleiras descongeladas. Venda seu carro e compre um bote salva vidas. Logo mais você terá que remar contra toda essa maré de desesperança que corre pela nascente do Medo.

Abra os seus olhos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário